Qual a diferença entre Avaliar e Examinar?
![]() |
| Enem 2009 - Exemplo de Exame |
Os Autores desse artigo entendem que existem diferentes concepções acerca da AVALIAÇÃO, muitas vezes associadas ao conceito de EXAME. É claro que cada conceito de avaliação expressa uma visão de homem, de mundo e de sociedade. A avaliação é indispensável em qualquer atividade humana e em qualquer projeto educativo. Nesse sentido, José Dias Sobrinho (2003) esclarece que "um conceito de avaliação revela o posicionamento POLÍTICO, IDEOLÓGICO, ou melhor, a VISÃO DE MUNDO DE QUEM O EMITE" (p.50).
E o que significa avaliação? Para que serve? Por que avaliar? Será que as escolas e as universidades avaliam ou examinam? Por que a avaliação praticada nas instituições de ensino vem recebendo duras críticas de muitos estudiosos dessa temática? Ela está a serviço de um processo de dominação imposto pelos organismos internacionais de fomento a educação dos países periféricos ou da libertação? Há algumas TESES que contribuem para refletir sobre essas questões.
PRIMEIRA TESE. A avaliação não deve representar só instrumentos de verificação do aprendizado, mas fornecer subsídios ao TRABALHO DOCENTE, direcionando o esforço empreendido no processo de ensino e aprendizagem de maneira a contemplar a melhor abordagem pedagógica e o mais pertinente método didático adequado à disciplina - mas não somente, à medida que considerem, igualmente, o contexto sócio-político no qual o grupo está inserido e as condições individuais do aluno, sempre que possível.
SEGUNDA TESE. A avaliação possui, sem dúvida, relevância no conjunto das práticas pedagógicas aplicadas aos PROCESSOS de ENSINO e APRENDIZAGEM. Na universidade, tal relevância assume proporções ainda mais críticas, uma vez que as expectativas em torno do graduando – dele próprio e da sociedade como um todo - são elevadas e múltiplas: aguarda-se o homem culto, o profissional competente, enfim, o indivíduo capacitado à resolução de problemas pertinentes a uma ou mais áreas de conhecimento.
TERCEIRA TESE. Avaliar exige PROFISSIONALISMO e INTENCIONALIDADE. Atestar que um aluno teve uma nota SETE, OITO, NOVE ou DEZ sem emitir um parecer por escrito sobre o porquê desse resultado, para que o aluno possa, enfim, buscar as melhores estratégias de melhorar seu desempenho é uma prática no mínimo antiprofissional (para não dizer autoritária) que leva, com certeza, a um processo intencionalmente direcionado para o não esclarecimento, pois esse tipo de prática não pode ser considerado ingênuo.
QUARTA TESE. Avaliar exige ACIONALIDADE consubstanciada a uma EPISTEMOLOGIA. O que acontece com a grande maioria das práticas pedagógicas que ocorrem nas escolas públicas
(e privadas) e nas Instituições de Ensino Superior (Universidades, Faculdades etc.), porém é que, em vez de serem valorizados em seus aspectos educacionais, o planejamento do ensino e a avaliação da aprendizagem são transformados em atividades burocráticas, formais e que contribuem para a naturalização do status quo dominante.
QUINTA TESE. Avaliar exige o reconhecimento da COMPLEXIDADE que repousa sobre o SER e o ESTAR no mundo. O que se percebe quando a avaliação é uma prática direcionada para o esclarecimento é que quanto mais se leva o aluno a atingir níveis mais complexos de raciocínio, maior grau de autonomia e participação ele consegue. Um aluno que sabe avaliar seu trabalho,
certamente está muito mais preparado, em termos de aprendizagem, do que um aluno que apenas desenvolve uma tarefa sem julgá-la.
Outro aspecto que nos parece fundamental, quando se fala em avaliação, é o de ressaltar a importância do professor no processo de ensino-aprendizagem, a quem devem ser dadas todas as condições materiais e espirituais de não só transmitir conhecimentos (pedagogia direcionada para o não esclarecimento, ou seja, para a inculcação massificada), mas também de materializar uma postura crítica direcionada a quem produziu os conhecimentos, e, acima de tudo, sobre as circunstâncias nas quais tais conhecimentos foram incorporados ao senso comum acadêmico.
Quando o processo de avaliação está sendo historicamente consubstanciado a um processo de não esclarecimento é uma clara evidência que uma nova patologia está ganhando dimensões sociais. Philippe Meirieu (1949), um dos defensores da Educação Popular, ensina que "a avaliação não é tudo; não deve ser o todo, nem na escola nem fora dela; e se o frenesi avaliativo se apoderar dos espíritos, absorver e destruir as práticas, paralisar a imaginação, desencorajar o desejo, então a patologia espreita-nos e a falta de perspectivas, também".
No Brasil a prática da avaliação é historicamente assumida como exercício do AUTORITARISMO: os de cima – os colonizadores – são os avaliadores (ou examinadores); os de baixo – os colonizados – são os avaliados. Neste esquema é que o superior é quem avalia os inferiores; os comandantes avaliam os comandados; os pais avaliam os filhos; os mais velhos avaliam os mais novos; os professores avaliam os alunos e ponto final. Com essa mentalidade avaliativa, só os de cima fazem o processo; os de baixo sofrem o processo já determinado.
Referência bibliográfica: http://damianavieira77.blogspot.com/2016/05/qual-diferenca-entre-avaliar-e-examinar.html

Nenhum comentário:
Postar um comentário